Por dois tempos
Em meus ouvidos.
Estava andando aqui
E um deles repetiu
“Albert Camus!”
Fiquei tranquilo
E sem saber o que era aquilo
Escutei o segundo zumbido:
Por dois tempos
No centro do quintal da Vó Zelda havia uma árvore espetacular. Ali no mundo tudo girava em torno daquela frondosa Dama-da-noite. Suas folhas eram veludo, seu tronco curto e forte como a certeza e a copa formava um giro sublime. E era embaixo dessa realeza de planta que morava, junto a um montinho de pedras, um calango. Um calango da cor de uma mata. Um calango que, por capricho da natureza ou artimanhas do coração, nunca dormia à noite.
Desordem
"(...) Eu andarei vestido e armado com as armas de Jorge, para que meus inimigos (...)"
Que meus inimigos, tendo olhos, não me enxerguem,
Que seus olhos se ofusquem e
Percebam que há mais no mundo do que minha queda.
E percebam que minha queda
É um instante de experiência,
E que, junto a eles, eu tudo engulo.
Descobri este atalho num dia em que o celular falhava, a caixa de email não abria, as pessoas não estavam, quem me queria mostrou alheamento, o pneu do carro furou e tudo apresentava uma dificuldade de conexão do século passado. Se persistisse na labuta de servente de pedreiro, quebrando aquele muro que o acaso me apresentava, não iria longe.
Ontem (bem ontem...) Joãozinho deu um chute
E a bola fez só o que ele queria
Foi gol por todos os cantos