"(...) Eu andarei vestido e armado com as armas de Jorge, para que meus inimigos (...)"
Que meus inimigos, tendo olhos, não me enxerguem,
Que seus olhos se ofusquem e
Percebam que há mais no mundo do que minha queda.
E percebam que minha queda
É um instante de experiência,
E que, junto a eles, eu tudo engulo.
Na verdade, que me esqueçam
Por sua própria bem-aventurança.
Que, tendo pensamentos, não me interessem,
Pois sou mesmo um redemoinho.
Que facas e lanças, se não quebradas,
Consigam cindir o que tento a todo instante
E me dividam em tantas partes
Que as cordas percam o sentido.
E que não possam me fazer mal,
Já que não entendem o que é meu bem.
Que eu não possa ser meu inimigo
E me aproxime mais de uma pedra do que de um homem,
Que me aproxime bem mais de um passarinho,
Assustado, que vi um dia numa arvorezinha que plantamos
