Era a vez de um barquinho, da cor da flor mais linda. E todos viam o barquinho em alto mar, sem pirata ou marinheiro, a marejar no horizonte. E todos não sabiam da existência do menino capitão, que existia no barquinho a conduzir o leme. Do lado avesso do barquinho, lá no convés do contrário, onde olhos não viam, ele permaneceu existindo por toda a vida. E de lá desse lugar imaginável, viu a noite por inteiro, viu o dia derramar, e viu o sol ser uma laranja. O mar foi lágrima boa de sua vida. Seus pés sempre tiveram uma bacia para tempos quentes. Mas os milhões de turistas da praia não sabiam de seus dias. E suas conquistas foram atribuídas ao vento, seus tormentos foram tidos como ranger do casco, seu sorriso foi confundido com rasgar de velas. Quando cansou de ser tudo isso que contei, sem despedida ou tempestade, mergulhou num naufrágio de brisa.