10/08/2022

COSTURA


É impressionante como venho vestindo com justeza as roupas de meu falecido pai.

A gravata estrita

As calças que ajustam os passos

As camisas com desenvoltura nos punhos.


Tenho apertado mais mãos depois de sua morte.


Às vezes me surpreendo ocupando seu vulto.

O tempo e a saudade vem cozendo um modelo fino de ausência.

A memória frouxa vem apertando cada medida minha que não se amolda.

Pai, de quem são estas mãos?