31/08/2022

LEGITIMIDADE E CONFORMAÇÃO DA IMPUTAÇÃO PRELIMINAR NO MODELO CONSTITUCIONAL DE PROCESSO PENAL

Dissertação apresentada à banca examinadora junto à Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de PósGraduação em Direito, como requisito parcial para obtenção da titulação de mestre em Processo Penal, sob a orientação do Professor Doutor Felipe Martins Pinto. 


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 RESUMO

O presente estudo analisa a imputação criminal que recai sobre o indivíduo, sujeito à persecução penal, ainda na fase preliminar da instrução. A imputação preliminar é estudada em seus fundamentos, natureza jurídica e repercussões. Os instrumentos normativos que, em regra, delegam o exercício do poder-dever de imputação preliminar às autoridades policiais são examinados. A partir da atual sistemática, discorre-se sobre a autonomia da imputação preliminar entregue à polícia judiciária, propondo-se uma mudança de orientação, com a exclusiva delegação de atribuição da imputação preliminar ao Ministério Público, legítimo titular da opinio delicti. Para tanto, adota-se como parâmetro o modelo processual penal italiano da indagine preliminare, sobre o qual é realizado breve estudo. A verdade sobre a qual se sustenta a imputação preliminar, baseada em evidências, é criticada, sob várias perspectivas, demonstrando sua fragilidade. Discorre-se, ainda, sobre a concessão de medidas cautelares e assecuratórias, a partir da verdade advinda da instrução preliminar, com efeitos danosos ao investigado e, por vezes, irreversíveis, sem o balizamento defensivo. Durante a pesquisa, o instituto da imputação preliminar é visitado sob o prisma do garantismo penal, tendo como paradigma o Processo Penal Constitucional. Sob este enfoque, a imputação preliminar passa a ocupar posição proeminente na instrução, como mecanismo de restrição a injustificáveis exceções aos direitos fundamentais da pessoa sujeita à investigação e de transparência da situação jurídica do indivíduo submetido à persecução. A justa imputação preliminar é apresentada como condição obrigatória para a concessão de medidas restritivas de direitos fundamentais durante a instrução preliminar. Aborda-se, pormenorizadamente, o indiciamento, ato formal de exteriorização da imputação preliminar, discorrendo sobre sua incipiente normatividade e sobre a atual e indevida tendência de potencialização dos seus efeitos em prejuízo do investigado.

PAI AUSENTE

a um amigo que se tornou, apesar da falta.

Meus sentimentos.


Ontem morreu uma ausência

Pesada, repleta de substância

Insubmissa, este vácuo me suga

Querendo mais que tenho dado

Este buraco veio a mim desde a infância

E me tornou pela falta

E puxou todo o meu preenchimento

Num ciclo constante e severo.

Agora a ausência se foi, morreu

Irremediavelmente

Não cabe mais a tentativa de 

Não cabe mais o meu avesso

Ele, enterrado, a sete palmos

Vem seguir sua sina

POEMA PARA REELS

Pára

A dancinha

Que um livro te espera

 

Sara

Desta compulsão que te devora

Como uma fera

 

Reels, shorts, trends e pedra

Aqui nada é além de uma rápida queima

Onde só o seu tempo se entrega

 

Se é num livro que repousa a calma dos olhos

Leve seus olhos para um lugar calmo como um livro

 

Agora

29/08/2022

MADEIXA URBANA

         

        Pouco para contar. Apenas discutíamos o sequestro diário de nosso recato, ou como melhor diria Nélson Rodrigues, “o túmulo do pudor”, o ônibus apinhado. Sim!, todos os dias são pernas que se abespinham, línguas em diagonal, caretas impossíveis e uma sacola repleta de mau-humor.

Tudo acontece em pouca distância e muito tempo em nossa velha conhecida, a vetusta e malquerida condução. Não há exemplo maior de ineficiência do que o transporte público brasileiro das grandes cidades.

28/08/2022

No início, a porta

Foi o fim do verbo


 Quem me dera chegar atrasado

em meus 15 minutos de fama.

 Sou a ação que me contradiz

(Soa contradição).


 As coisas não deixam espaço para os olhos


FUGIU

 Este poema não coube nos livros


VOCÊ

Eu vou te cortar da minha rotina
Te colar na minha retina
Te trazer para mais perto
Beber verso a verso
Te jogar na minha sina


POEMA EM CHAMA

Este poema

Quando lido

Se inflama


27/08/2022

CIDADE JARDIM?


S
ou de Belo Horizonte

E deslizo sobre estas ruas a maior parte de meus dias. 

É sobre elas que disfarço algumas frustrações

Fingindo-me apenas um carro em movimento

 

Como aquele que passa, com mesma gana e cor e modelo diverso

Como aquele que só pensa em artes cênicas e não vê a entrada do túnel

Como aquele que repousa a mente numa melodia horrível

Como aquela moto que entrega e se entrega num risco caríssimo 

Com uma ideologia que o consome, como uma cegueira

Como aquele carro amarelo que não está à venda

 

Estamos aqui por baixo e dentro da mesma intenção de ligação

A cidade busca com dureza fazer uma rede macia

Que mastiga de alguma forma a fama de Cidade Jardim

 

Fazemos todos estes blocos para o encontro

E a vontade do muro hoje infelizmente se sobrepõe

 

Ao ponto de não sorrirmos para o fim do túnel

 

Como se não fosse apenas possível


26/08/2022

COLEÇÕES DE INFÂNCIA

A formiga é um brinquedo

Que corre e captura pedaços da minha infância

 Sou dono de todas as formigas daquela avenida 


O aviãozinho pode parecer um bicho

Já fiz toda minha família ficar jogando aviõezinhos em harmonia

Já fiz meu pai inquirir os vizinhos sobre tanajuras

 

Faço coleção de coisas que não permanecem

Levo uma frota de papel nos bolsos


As minhas gavetas são maiores 

do que o mundo

 

Lá escondo o que os adultos não entendem

 

Minha infância cresce para todo lado

25/08/2022

TODOS OS BICHOS


Pedro decidiu que possui todos os bichos da natureza, inclusive os de verdade, aqui em casa. Acontece que esta decisão trouxe para a família algumas situações embaraçosas.

Como entrar, por exemplo, com todos eles no elevador?

- Apertam com o chifre os botões do painel, óbvio. E para abrir a porta, usam as orelhas – respondeu o menino.

E todos os bichos moram dentro do apartamento, então, até os maiores e pescoçudos.

24/08/2022

INSETO

O marimbondo morreu


E nada ao redor foi ferrão
ou movimento
Nenhum zumbido foi o que ficou

Lembro que as asas batiam
Caindo ciscos

Sua cor cobre fazia ameaças aos olhos

Havia um prego ou tiro sobre a minha nuca
E também uma leveza que não foi possível

Havia um inseto que era o instante,
O ponteiro e um dedo em riste.


O inseto era frágil demais para suportar

Isso foi antes de o marimbondo acabar

 

23/08/2022

OLHOS ABERTOS

Texto escrito em 12/03/11 e publicado no blog Minutal

         O seu olhar melhora o meu

Arnaldo Antunes

 

Preciso de roupas, rápido. Por isto busco o personagem de um conto meu antigo (Relato sob o outono), e suas vestes sem cor e a paisagem de madrugada, folhas secas e brisa persistente. Olho firme para a figura que criei e vejo que desenhá-la tenha sido talvez um alento de buscar um canto sem olhos, onde os movimentos são apenas os de qualquer moinho. Estar ali no co(a)nto, seria estar sozinho.

Até que ponto?

22/08/2022

BALAIO DE DIREITOS


D
ireito à herança, a todos os centavos sem o sorriso dele, o toque forte e seguro, o bigode já grisalho de tanta entrega.

A todos os centavos, sem sua graça e força, sem a presença junto aos bichos, junto à gente. Sem a graça de seu sorriso, o toque e a voz rouca.

Seu sorriso puxava a gente para a alegria que não monetiza. Não foi monetário, este perdulário de alegrias.

Direito aos centavos que restam depois dessa imensa perda. Incalculável é esta dor inflacionária, absurda.

O código civil não é do mundo da dor, não se sensibiliza, não chora comigo, apenas dita um rito inerte. Não percebe que não preenche nada.

Direito aos vinténs ao final do mês.

Deste mês que não passa, que se mistura a outros meses, numa invasão perene e fria.

Em caso de gravidez, à licença paternidade,

que doeu, como dói um buraco sem perspectivas de fim.

Como vai doer a inexistência de um passeio a cavalo com os netos, com a neta.

Como vai doer o som dos cavalos, calmos, com cuidado e prudência, num vazio.

Ele não conhecerá a neta que não teve, a filha que eu não tinha à época que ele se foi. Ele não perceberá como esta ausência é sentida. Não terei como dizer a ele, ainda que numa briga sincera.

Direito à privacidade,

Que eu guardo na recôndita gaveta do meu quarto,

Junto com alguns ilícitos insuspeitos, com algumas cartas e palavras dele, que agora consomem meus poemas e me levam às lágrimas.

Direito de ir e voltar arrependido,

Também de rir de algumas cretinas opiniões.

O luto é um espaço sensível, o corte em mim é fácil e estou num palco, suscetível.

Direito ao sigilo de minhas correspondências,

Por conveniência, beijadas com superbonder.

Quem recebeu cartas dele não entende o sigilo, suas cartas querem ser abertas, expostas, florescem.

Quem não recebeu cartas dele não entende a metamorfose. Sua caligrafia faz um amálgama com sua postura (de família) ereta, firme e doce de pai ou passarinho. Suas cartas não desligam a luz, não se ofuscam em qualquer gaveta.

Direito de resposta,

Na mesma medida da poda. Foi ele quem me ensinou, o dedo em riste, sobre o púlpito da razão e ética, inabalável e tão frágil, meu Deus...

Foi-se sem a minha resposta, num átimo, num segundo do tamanho do mar, ou em minutos comprimidos, inesperadamente cruéis.

Direito à grave pergunta da vida,

Torcida como um cavalo marinho. Incógnita.

A minha pergunta para a vida está num canto, repetindo a mesma frase sem sentido, falando sozinha.

E mais uma mão cheia

De direitos, direitos e direitos.

Sou um balaio destes direitos.